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Antagonismos – ou as coisas que me indispõem...

Para ventilar os pulmões e lavar os fígados de toxinas.

Antagonismos – ou as coisas que me indispõem...

Para ventilar os pulmões e lavar os fígados de toxinas.

O meu desejo de Natal.jpg

 

Ah, o Natal, o Natal...

Época de paz e harmonia, de presentes e alegria (olha que bonito, rimou!), de brilhos e de música delicodoce – e de muitos doces na mesa também, seus gulosos!

 

Dos mais cínicos (como eu...) aos mais inebriados pelo espírito natalino, todos acabamos por celebrar, melhor ou pior, com mais ou menos vontade de cortar os pulsos por ouvir ainda mais outra músiquinha com guizinhos ao fundo, esta ocasião, dita festiva para uns, e ditadora de consumos em excesso para outros.

Para onde quer que olhemos, da esquerda à direita, em cima ou em baixo – o Natal está aqui, prolifera iluminado e impossível de ignorar.

É também época de formular desejos de todos os tipos: os mais abnegados desejam a paz generalizada, o fim das doenças e da fome na Terra; os mais egoístas pedem presentes para si próprios, claro, mais caros ou mais humildes, conforme o pai natal que lhes entrar em casa seja abastado ou mais pelintra.

Apesar de não ser (obviamente) fã da quadra, tenho um desejo de Natal, e apenas um, dirigido àqueles que me deram (e dão, abençoados sejam 🫶🏻) tanto que falar neste blog – e na vida – ao longo do ano: ✨aos preconceituosos, que viveram tanto e bom tempo debaixo de uma qualquer pedra, caladinhos como Deus quer, e que agora perderam a vergonha toda, largamente encorajados e justificados por um partido (com representação parlamentar e tudo!) que dá voz às suas imprecações xenófobas e racistas; ✨aos misóginos, armados ao pingarelho tradicionalista, que só querem ter as mulheres caladas, controladas e na cozinha, bem à moda do século XII, que na idade média é que era uma beleza; ✨aos teóricos da conspiração, irresponsáveis que, não só rejeitam todos os progressos que a ciência nos deu na saúde – vacinas, partos mais seguros, tratamentos especializados, maior esperança média e qualidade de vida – como advogam que todos o façam também (que o cancro é só stress e cura-se a apanhar solinho!), de telemóvel com wifi na mão, pois não abdicam destas comodidades modernas, possibilitadas pela ciência, para debitarem as suas teorias medievais e venderem as suas próprias mezinhas “naturais”; da idade média à pré-história, ✨aos neandertais que abusam, violam, agridem e perseguem (quase sempre) até à morte as mulheres que dizem amar, sendo que para eles amar significa controlar e possuir; ✨aos ignorantes crentes (ou crentes ignorantes?🤔) que comem às colheradas todas as falsas informações que encontram, por mais flagrantes que sejam, sem o mínimo de capacidade de análise crítica, que regurgitam com a sabedoria azeda de um bebé a bolsar a cerelac; ✨aos chocados defensores das criancinhas, que vêem em desenhos animados pedagógicos nada mais que doutrinação transsexual e manipulação LGBT das verdinhas consciências, como se por verem esses desenhos os petizes se transformassem logo em trans, gays e não-binári@s (e então se vissem desenhos sobre autistas, também passariam a sê-lo?), porque tudo isto, como toda a gente sabe, são escolhas, e do Demo!, quando na verdade a única preocupação destes pseudo-terapeutas e dos paizinhos que os seguem é difundir a mensagem transfóbica, de forma populista e encapuçada de temor pela fragilidade das criancinhas, de modo a que as novas gerações cresçam no preconceito e venham a ser adultos intolerantes e totalmente desprovidos de empatia como eles.

Decerto me escaparam muitos mais (os energúmenos são tantos que não posso lembrar-me de todos, perdoem-me os esquecidos, vocês sabem que moram sempre no meu fígado carregado de bílis por vós). A todos os mencionados e aos que ficaram por mencionar, desejo profundamente um santo Natal, passado em abençoada harmonia nos confins do c🎅🏻r🎀lh🔔 que vos f🎁d🎄. Festas Felizes.

 

O meu desejo de Natal - reel