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Antagonismos – ou as coisas que me indispõem...

Para ventilar os pulmões e lavar os fígados de toxinas.

Antagonismos – ou as coisas que me indispõem...

Para ventilar os pulmões e lavar os fígados de toxinas.

11 Jun, 2025

Falhas Ancestrais

– em tempos digitais

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Todos falhamos. Todos. Ninguém é infalível, todos metemos a pata na poça. Fazemo-lo de vez em quando, alguma vez o fizemos.

Não falo de filosofia existencialista, falo mesmo das asneiradas práticas que fazemos, porque estávamos distraídos, ou, simplesmente, porque eramos ignorantes.

 

O que importa é se aprendemos e o que fazemos com o que aprendemos (sei que parece, mas juro que isto não é nenhum artigo pseudo neo-existencialista desses! Vocês sabem que eu era incapaz!).

Se alguém comete um erro por ignorância, por desconhecimento, assim que tal lhe for apontado, terá de aprender. Exemplo disso é o desconhecimento da lei, que não isenta ninguém de a cumprir! À primeira, podemos levar um ralhete de advertência do sr. Juiz ou do sr. Agente, mas à segunda levamos com a coima estipulada na fuça que é um gosto!

Ora... há gente que não gosta de aprender. Há gente que despreza qualquer tipo de ensinamento que não lhe suscite interesse ou lhe faça muito desarranjo pessoal, ainda que se trate de coisas absolutamente relevantes e até necessárias para o trabalho, tarefa, projecto, o que seja, que estão a executar, ou que executam frequentemente.

Quando essa ... digamos “teimosia” (vou ser boazinha, para já...) se resume inteiramente à sua actuação, sem consequências para mais ninguém além do “teimoso”, pouco mal virá ao mundo. Há uma coisa muito gira chamada livre arbítrio – cada um sabe de si, quem não quer ser burro, não lhe veste a pele, e quem quer ser, está no seu direito de a vestir (ai espera, não é burro na expressão popular, pois não? Olha, paciência, está dito, está dito).

Mas quando a burrice... perdão!... a “teimosia” afecta outros, e, apesar da advertência, se mantém – apenas porque a Sua Excelência Dom Fuas Asno de Teimosia Ancestral não lhe interessa minimamente o que possa ou não ser mais correcto, o que possa ou não ser o mais justo para outrem, apenas se importa com o que é mais prático para o conforto do seu umbigo! – já falamos de coisas muito diferentes.

Querem saber sobre que raios estou eu para aqui a rilhar, não é? Eu digo, não quero que vos falte nada!

Há uma certa página de Facebook (sim, esse antro viscoso, cheio de almas sórdidas e réstias vestigiais dos elos perdidos da evolução digital!), sobre faits-divers e curiosidades antiquadas semi-interessantes – não se aprende nada de muito relevante, mas é uma boa distracção, com efeitos calmantes e até soporíferos –, cujo nome não vou divulgar pois recuso-me a dar publicidade gratuita ao indíviduo que a gere. [Nota: não que ele precisasse de qualquer publicidade, ele tem cerca de 130 mil alminhas a segui−lo! Bom, 129...]

Notei, desde o início, quando comecei a seguir a  dita página, que o seu criador colocava os créditos das fotos (nem sempre) e dos textos (nem sempre) que não eram da sua autoria, no final do post, mas sem marcar/identificar com o link da página/perfil em causa. Estão a perceber? Ele põe lá “Foto: Fulano de Tal”, e não “Foto: @fulanodetalaquinaredexpto” ou “https://fulanodetalnainternet” – só para que fique bem claro.

Creio ser protocolo de cortesia básica entre criadores de conteúdos a identificação do autor, sempre que se utilizem nas nossas publicações recursos e conteúdos que não nos pertencem. Mas porque, sei lá!, estamos em 2025 e não em 1999 (eu sei que pode ser um choque para alguns), apenas nomear alguém não é suficiente. Se há um perfil linkável por @ ou uma página com um url (e todas têm, outro choque, eu sei!) que identifiquem inequivocamente o autor do conteúdo, é preciso (eu diria até que é obrigatório) fazer esta linkagem, objectiva e activamente. Referir o autor é o mínimo indispensável. Não o fazer é desonestidade moral. Certo. Mas não é o suficiente, é preciso a identificação com link!

É uma questão de respeito e de ética digital entre criadores. Quando identificamos o perfil/página com um link (@/url), estamos a ser transparentes: a atribuição da autoria é inequívoca, e, mais ainda, partilhável! Proporcionamos aos nossos seguidores conhecer aquele artista/autor/escritor/fotógrafo, o que seja. A interacção em todas as plataformas de redes sociais e outras é a base do seu propósito, é o seu fundamento de existência.

Além disso, estamos a revelar ao autor, mas também aos seguidores, com toda a transparência, que estamos a usar um conteúdo que é daquele – e só assim (salvo por aviso, denúncia, ou mero acaso!) o autor sabe que esse seu conteúdo foi usado; pode ir lá constatar in loco o contexto dessa utilização; pode manifestar-se a favor ou contra, como é seu inviolável direito, dessa utilização. Pode efectivamente dizer “por favor, retira o meu conteúdo, não autorizo que seja usado nesse contexto” ou “fixe, muito obrigado pela divulgação!” – e a interacção prossegue e até progride. Ou pode ficar só calado, também é seu direito.

Acham isto assim tão complicado de entender? Sinceramente, parece-me que não é, e é até um bocado tonto vir para aqui explicar o óbvio. Eu espero que para a grande maioria das pessoas seja mesmo óbvio, senão mesmo automático.

Não compreender isto é não compreender que as regras básicas de cortesia profissional não mudaram no seu conteúdo – apenas adquiriram mais uma forma de serem praticadas.

Eu manifestei este reparo, com educação e gentileza, via comentário num post ao tal “criador” (post esse que constava de uma foto cujo autor ele, mais uma vez, como todas as outras vezes, se limitou a escrever o nome), pensando que ele estaria a agir assim apenas por desconhecimento da prática, e não exactamente por má fé ou comodismo.

O desprezo e a displicência com que o indivíduo “despachou” o meu reparo e a minha sugestão só serviram para demonstrar a sua falta de cultura, no geral, e de ética digital em particular.

O que poderia eu mais fazer? O que fiz a seguir. Enviei uma mensagem ao fotógrafo-autor, que ainda por cima é meu conterrâneo (how could I not, n’é?), que escolherá fazer o que muito bem lhe aprouver, agir, não agir, dizer que sou Karen e mandar-me meter-me na minha vida, é prerrogativa dele.

Se vou chamar a atenção a outros criadores (se calhar aqui o termo é abusivo, a maioria destes energúmenos são meros “compiladores” de conteúdos, parasitas do trabalho inédito alheio) que veja a prevaricarem? Certamente.

Se me vou cansar porque são mais que as mães? Provavelmente.

O que eu costumo fazer? Geralmente uso imagens da plataforma Pexels, que são de uso livre. Mas uso livre não significa não dar créditos aos autores. Dou sempre: o Pexels costuma ter informação e links para as redes e sites dos autores, Instagram, Facebook, websites, que coloco onde necessário. Nos meus blogues, como já decerto notaram, linko a foto que ilustra o meu texto ao seu sítio no Pexels – se passarem o rato, vêem o link.

Quando não há link nas fotos e imagens que uso, é geralmente por uma destas razões:

– a foto é minha, tirada por mim (muito raramente!);

– comprei a foto, ou seja, está incluída no banco de imagens do Office cuja licença adquiri;

– explorei desavergonhadamente os recursos e aptidões de familiares ou amigos;

– explorei desavergonhadamente os recursos e aptidões (ainda um tanto toscas, haja paciência!) de uma IA qualquer (não costumo dizer qual delas usei, mas assinalo – sempre que me lembro... – a opção “informação de IA”, disponível por exemplo no Instagram).

Não sou infalível. Haverá imagens de posts mais antigos sem créditos devidos (que ando a verificar, não se exaltem já!), de quando eu era uma criadora imberbe e sem uma noção 100% esclarecida de como estas coisas devem ser feitas. É por isso que mudei a imagem deste blog, porque não consegui identificar onde a tinha ido buscar a anterior. Por isso, e porque já estava farta da antiga.

O que eu gostava? Gostava que as plataformas tivessem a hombridade de serem mais responsáveis, em vez de andaram só preocupadas em vender licenças de verificação (o circulozinho azul com o símbolo de “visto”), e disponibilizassem uma forma de denunciar este tipo de incorrecção (que não é burla, fraude nem spam), fosse por notificação ao prevaricador ou ao criador original – embora isto implicasse que toda a gente que se passeia por essa net afora denunciasse estas situações. E que houvesse, já agora, uma legislação mais apertada na união europeia.

Porque, entendamos uma coisa: a internet parece mas não é “terra de ninguém” no que toca a direitos de autor. Lá porque o recurso ou conteúdo está acessível online não significa que pode ser usado indiscriminadamente.

O trabalho criativo, original, inédito, exige tempo, esforço, energia, talento, dedicação, perseverança, aprendizagem, recursos financeiros, e mais outras tantas capacidades.

Não dar aos criadores o crédito devido, e na forma tecnologicamente correcta e adequada, é abuso, desrespeito, e uma ignorância que só pode ser tolerada uma vez.

Sois todos livres de seguir “compiladores de conteúdos” à fava-rica. Eu também sigo alguns. Mas não confundam as coisas, e não permitam que os criadores sejam penalizados por eles.

Sem linkagem (que, gente!, é praticamente sempre possível hoje em dia!), não há verdadeira transparência na utilização nem atribuição inequívoca da autoria.

Não saber isto, pode acontecer a muitos. Mas ter conhecimento e, mesmo assim, escolher ser displicente, porque simplesmente “para mim é mais prático”, não é só cometer uma falha de dimensões ancestrais, é sobretudo uma grosseira falta de respeito.

 

Nota: a imagem deste artigo foi elaborada mediante recurso a uma IA, que apreciou muito a minha "ideia maluca". 

 

«Falhas Ancestrais» - Reel